Pelos ajustes
Eliminar vícios, quebrar rotinas e mudar hábitos
Yosef-José Cunha Rodrigues *
“Não vou 'dourar a pílula': estamos, sim, num momento único e triste. Sem entrar em detalhes técnicos e políticos, onde as estatísticas (dívidas) são duvidosas — números totalmente manipulados — considero mais do que pertinente reiterar o assunto no primeiro mês do ano: A crise!
Está difícil!»; «É complicado!»; «Temos de apertar o cinto!»; «O caldo está entornado!»; «O leite está mais que derramado!». A poesia não é bem assim, mas a rima é parecida. A esta colecção de versos fadistas acrescem os presumíveis culpados pelo desequilíbrio da União Europeia, um deles Portugal. Se somos parte desta formidável antologia de querelas pouco elevadas, saudemos, em primeiro lugar, a bela oportunidade que nos bateu à porta: uma crise! Enganem-se: ruptura não é mais do que oportunidade de mudança. E a direcção mudou! Está na hora de acordar!
Para entender a natureza do crescimento espiritual, não basta olharmos para o nosso próprio progresso. Poucos sabem que o maior segredo de uma crise é despertar o amor incondicional e a compaixão. Só quando tropeçamos é que vemos isso; mas a Luz está sempre lá, para nos apoiar de forma incondicional, incentivando-nos a levantar e a tentar novamente.
A nossa alma quer apenas isso, que olhemos as crises de cabeça erguida, gritando: «Luz, deixa-me fazer mais isto ‘sozinho’. Quero experimentar a verdadeira espiritualidade». A Luz (que muitos chamam Deus) está sempre a dar-nos oportunidades de ouro como estas, empurrando-nos para fora do ninho dizendo: «Já te ensinei tudo. É hora de saltares e começares a voar». O que é que significa isto? De repente, as coisas boas que ignorávamos na vida (são tantas) convertem-se em carraças (dívidas). As dúvidas tornam-se mais intensas e a raiva assoma dentro de nós, até queimar; em suma, a esperança extingue-se.
O objectivo desta ‘crise’, apesar de desconfortável, serve para pararmos e mudarmos de direcção. É um ajuste. Precisava de ser assim (tratamento de choque)? Se há questões profundamente enraizadas em nós, que bloquearam toda a nossa vida, esta é uma boa altura para resolver pendências deste calibre. É um bom período para eliminar vícios, quebrar rotinas, mudar hábitos e, até reformular padrões disfuncionais nas nossas relações. É a nossa oportunidade de purificação emocional, física e espiritual.
Esta crise é muito abençoada, porque permite olhar mais profundamente o que pensávamos que sabíamos e que, afinal, não passam de meras frases coladas a cuspe. Para muitos, as lições que aprendem no início da viagem tornaram-se slogans vazios in media res. E lembre-se: o maior acto de compartilhar que um pai ou uma mãe podem fazer é levantar o seu filho, mas só depois de ele já ter caído várias vezes.”
ZEN ENERGY - 2012
(*) Professor/Cronista
Yosef.rodrigues@gmail.com
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Fora do sofá com Yosef Rodrigues
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